quarta-feira, 6 de abril de 2011

Viva o romantismo!

Quem nunca esperou ouvir uma declaração de amor? É uma massagem para o ego e faz muito bem. Muitas músicas fazem isso, ou acham que estão fazendo, porque às vezes, como dizem, o tiro sai pela culatra.
Exemplo é uma música de um grupo chamado Cogumelo Plutão - Espera na Janela. Talvez muuuuita gente não a conheça ou nem se lembre mais, o certo é que fez muuuito sucesso e tocava sem parar nas rádios FMs. Se não me falha a memória também fez parte de uma novela.
Pois bem, a letra vai bem, em seu intento de ser uma declaração de amor, até chegar no refrão. Vejamos:

Esperando Na Janela
Cogumelo Plutão
Composição : Blanch~


Quando me perdi
Você apareceu
Me fazendo rir
Do que aconteceu
E de medo olhei
Tudo ao meu redor.
Só assim enxerguei
Que agora eu estou melhor.

(Refrão)

Você é a escada da minha subida,
Você é o amor da minha vida,
É o meu abrir de olhos do amanhecer,
Verdade que me leva a viver.
Você é a espera na janela,
A ave que vem de longe tão bela,
A esperança que arde em calor,
Você é a tradução do que é o amor.

E a dor saiu;
Foi você quem me curou.
Quando o mal partiu
Vi que algo em mim mudou
No momento em que quis
Ficar junto de ti
E agora sou feliz,
Pois lhe tenho bem aqui.

(Refrão)

Você é a escada da minha subida,
Você é o amor da minha vida,
É o meu abrir de olhos do amanhecer,
Verdade que me leva a viver.
Você é a espera na janela,
A ave que vem de longe tão bela,
A esperança que arde em calor,
Você é a tradução do que é o amor.

Quando me perdi
Você apareceu
Me fazendo rir
Do que aconteceu
E de medo olhei
Tudo ao meu redor.
Só assim enxerguei
Que agora eu estou melhor.
Estou melhor!

Meditando:

Se lerem bem, verão que uma frase apenas acaba, na minha modesta opinião, com a idéia de declaração de amor. Descobriram?
Nada menos romântico do que dizer que alguém é a "escada da minha subida", não concordam? Será que era só para rimar com "vida"?
Meditando na letra: Em pleno século XXI, dizer que alguém é "escada da minha subida" representa, no mínimo, um relacionamento assimétrico. Dentro da música, em que a amada é retratada como cura de todos os males, esse é o momento mais egoísta, menos romântico da música. Exagerando um pouco, podemos pensar que é o mesmo que dizer que passaremos por cima dessa pessoa, pisaremos nela para alcançarmos nossos objetivos.
Esse termo "escada" é usado na gíria ao falarmos de humor. Refere-se aos figurantes que, num esquete, funcionam como escada para um humorista mais conhecido: sem eles a piada não funciona; porém, apesar disso, são meros coadjuvantes.
Assim, sendo, acho que essa frase do refrão, acaba um pouco com o clima de "declaração de amor" que a música que propõe. Dá, assim, um mau passo ou um passo em falso.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Decifrando o Indecifrável I

Dormi na Praça
Composição: Elias Muniz / Fátima Leão

Eu caminhei sozinho pela rua
Falei com as estrelas e com a lua
Deitei num banco da praça tentando te esquecer
Adormeci e sonhei com você

No sonho você veio provocante
Me deu um beijo doce e me abraçou
E bem na hora H no ponto alto do amor
Já era dia e o guarda me acordou

Seu guarda eu não sou vagabundo eu não sou
delinqüente
Sou um cara carente
Eu dormi na praça, pensando nela

Seu guarda seja meu amigo,
me bata, me prenda, faça tudo comigo
mas não me deixe ficar sem ela


1)Na conhecida música acima, o que será o "tudo" que o guarda pode fazer com o personagem? além de bater e prender?

2)Alguém pode me dizer como é que o guarda poderia ajudá-lo a conquistar a mulher amada? É mais fácil fazer "tudo" com ele do que não deixá-lo ficar sem ela.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Pleonasmo - eu cometo, tu cometes e eles cometemmmmm, rsrs - trechos de músicas famosas

1)Bem gente, destaco um trecho desse clássico do sertanejo:

Estrada da Vida

"Nesta longa estrada da vida
vou correndo não Posso parar.
Na esperança de ser campeão
alcançando o primeiro lugar"

Pergunta: "Campeão" já não pressupõe "primeiro lugar"? Fora campeonato de pontos corridos, ou fórmula um ou ainda, desclassificação,quem é que já viu alguém ser campeão alcançando o segundo lugar?
(Essa eu dedico para o meu filho "Vico").

2) Para não pensar que é perseguição com um gênero, que tal alguns trechos de vários gêneros e com a mesma redundância?

a - Angra dos Reis - Legião urbana

"É uma dor que dói no peito
Pode rir agora que estou sozinho"

b- Dor de amor - Beth Carvalho

"Ai como dói....Ai como dói a dor
Como doi a dor de amar"

c- Marchinha de carnaval:
Bandeira Branca

"Bandeira branca, amor / Não posso mais
Pela saudade que me invade / Eu peço paz
Saudade mal de amor, de amor / Saudade
Dor que dói demais / Vem meu amor
Bandeira branca / Eu peço paz"


c - Rei do Rock - Zé Ramalho

"Na tela grande do destino
Fui bandoleiro, fui caubói
Vaqueiro errante, beduíno
Soldado dado à dor que dói"


d - Meu Coração Está de Luto - Zeca Baleiro

"Dói demais a dor do amor
Esse amor não morrerá
A saudade ficará
Nesse peito sofredor"


Pergunta: Se é dor só pode doer, não é gente? A menos que todos estejam fazendo como Fernando Pessoa: Fingindo que é dor, a dor que deveras sentem

3) Feito à luz do Alvorecer - Grupo Revelação

"Olhando em seu olhar
eu me apaixonei comecei a sonhar
sonhando te amei
senti uma sensação que nunca imaginei"

Conclusão: Se a pessoa não sentir uma sensação, é muito capaz que sinta um sentimento, rs

Essas são pequenas gotas em um universo de pleonasmos, redundâncias presentes nas músicas que cantamos.

De volta ao planeta...

Bem gente, alguém já ouviu falar em "chover no molhado"? Uma figura chamada Pleonasmo faz exatamente isso. Não estou falando dos pleonasmos literários, que são feitos de propósito por alguns escritores, me refiro aos deslizes que cometemos como o famoso "sair para fora", "subir para cima" e por aí vai.
O engraçado é que as músicas, muitas delas, apresentam essa redundância que, tenho certeza, não é proposital.
Então para essa volta, pretendo destacar alguns trechos de músicas em que isso acontece.
Como sempre espero que vocês se divirtam. Beijos

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Voltei...

Amig@s,

Depois de alguns revés da vida, eis me aqui. Notícia boa é que terminei a licenciatura e pretendo escrever mais agora no blog...quanto as notícias ruins, prefiro não replicá-las, deixemos elas onde estão.
Tenho algumas sugestões de estilos musicais para meditar, rs. Do sertanejo ao samba-enredo, tem muita coisa interessante.
Espero postá-las o quanto antes, bjs a todos.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Morango do Nordeste

Bem, depois de um longo e tenebroso inverno, voltei. Peço desculpas pela demora em postar. Mas é a vida, rs. Bem, para compensá-los, trago uma música que para mim é uma pérola da ambiguidade,rs. Engraçado é que foi escolhida numa pesquisa, como a música do ano de 2000. http://cliquemusic.uol.com.br/materias/v…

Não sei se a versão corrente que chegou aqui no sudeste é a correta - acho que só os compositores Fernando Alves e Walter dos Afogados, podem esclarecer essa dúvida - mas que tem bastante incoerência isso tem. O interessante, reparem, é que a confusão é causada justamente pelo uso dos conectivos - no caso ai as conjunções e/ou preposições, que dão a idéia de uma coisa, quando a intenção era dizer outra.

MAs só indo à música para percebermos. Então, vamos a ela:



Morango do Nordeste

Composição: Fernando Alves e Walter dos Afogados

Estava tão tristonho quando ela apareceu
Seu olhos que fascinam logo estremeceu
Os meus amigos falam que eu sou demais
Mas é somente ela que me satisfaz

É somente ela que me satisfaz
È somente ela que me satisfaz
Você só colheu o que você plantou
Por isso que eles falam que eu sou sonhador

E digo o que ela significa pra mim
Ela é um morango aqui no nordeste
Tu sabes não existe sou cabra da peste
Apesar de colher as batatas da terra
Com essa mulher eu vou até pra guerra , (vou)

Aai, é amor
Aai é amor
É amor
Aai, é amor
Aiaiai é amor
É amor



Bem, essa é a versão que nos chegou aqui. Mas em pesquisa, verifiquei que há outras versões, em que o uso das conjunções e dos advérbios faria um pouco mais de sentido.

A PRIMEIRA ESTROFE: Já no segundo verso, a primeira estranheza. O “eu” da música está descrevendo a chegada da moça, quando ele estava triste. Até ai tudo bem. Cita que os olhos dela provocam fascínio, mas a reação que causam tá na cara que foi colocada lá só para rimar: “logo estremeceu”. O que estremeceu? pelo jeito que está escrito não dá para saber, se fosse estremeci, ai sim, agora estremeceu é vago.

Agora repara no terceiro e quarto versos. Há lá uma conjunção adversativa, “Mas”, responsável pela ambiguidade. Se ela é adversativa, logo dá a idéia de oposição, de idéia contrária. Então vejamos: idéia 1: os amigos falam que ele é demais; idéia 2: só a garota que o satisfaz. Logo, pela utilização da conjunçao em questão, pode-se ler que apesar de os amigos dizerem que ele é demais, eles não o satisfazem. Não é nenhuma invenção, é o que pode-se ler. Daí se um desavisado ficar surpreso e perguntar: nossa entao ele “fica” com os amigos? sinceramente não haveria resposta satisfatória para dar, já que a passagem é ambígua.

A SEGUNDA ESTROFE: Após o que parece um refrão, com a repetição de uma frase, estão o terceiro e quarto versos. Entre eles a ligação é feita pelo conectivo “Por isso”. Este conectivo tem a intenção de retomar uma idéia dita para explicar outra. Ex: Não gosto de matemática , por isso não cursei engenharia. Então, alguem pode dizer qual a idéia do verso anterior que é retomada, talvez eu que não esteja compreendendo direito. Qual a relação entre “Você só colheu o que você plantou” e “Por isso que eles falam que sou sonhador”? Pra mim é um mistério. Um pouco do último verso pode ser explicado com a outra versão encontrada da música em que aparece: “os meus amigos falam que sonho demais”, porém, ainda assim não teria relação com o verso de cima.

A TERCEIRA ESTROFE: Bem, não sei nada sobre morangos no nordeste, mas pelo solo da região, deve ser algo raro; espero que seja isso né, rs. O que tornaria a mulher especial e salvaria o primeiro e o segundo versos desta parte. Agora, o terceiro, quarto e quinto versos, para mim são confusos. o que nao existe? o morango no nordeste? e o que tem a ver ser cabra da peste? novamente a questão da rima?
Novamente um conectivo que mais ajuda a confundir do que a esclarecer: “Apesar”. Geralmente quando a usamos quer dizer que mesmo acontecendo o fato 1, podemos chegar ao fato 2. Como se o fato 1 fosse um impeditivo, que precisasse ser superado para chegarmos ao fato 2.
Agora o que impede que a pessoa de ser “agricultor” e ir para a guerra? E o correto não seria por essa mulher? ou ele quer levar a mulher junto para a guerra?

Bem, espero que tenha sido clara o suficiente, rs, já que a música, decididamente não o é. De repente a explicação seja de que essa versão chegou no sudeste errada e não seja tão confusa assim…seja mais simples do que imaginamos

terça-feira, 7 de julho de 2009

Cantigas Infantis: Marré Desci

Bem, após uns dias enclausurada por conta de um trabalho de faculdade, volto para falar de uma coisa que tem me intrigado: as cantigas infantis.

Quando a gente é criança, não está nem ai para o que canta, nem tem a dimensão do que estamos falando. Mas quando ficamos adultos e começamos a implicar com tudo, eis que as cantigas caem na malha fina, rs.

A cantiga a seguir, causa-me espanto agora, embora, deva confessar que não era uma das minhas preferidas quando criança. Vamos a ela então:


Marré Desci

Composição: Indisponível

Pobre:
Eu sou pobre, pobre, pobre
De marré, marré, marré
Eu sou pobre, porbre, pobre
De marré desci

Rica:
Eu sou rica, rica, rica
De marré, marré, marré
Eu sou rica, rica, rica
De marré desci

Rica:
Quero uma de suas vossas filhas
De marré, marré, marré
Quero uma de vossas filhas, de marré desci

Pobre:
Escolhei a que quiser
De marré, marré, marré
Escolhei a que quiser, de marré desci

Rica:
Eu sou quero a "Maria"
De marré, marré, marré
Eu sou quero a "Maria", de marré desci

Pobre:
Eu de pobre fiquei rica
De marré, marré, marré
Eu de pobre fiquei rica, de marré desci

Primeiro, nunca entendi esse título. Mas vá lá, deve ter sido concebido por conta da brincadeira sonora. Como não sei a origem desta cantiga, pode ser ainda que o título nem era esse, mas com o passar do tempo - como aconteceu com "espalha rama" = "esparrama" de outra cantiga ("batatinha quando nasce esparrama" pelo chão) - tenha sido transformado pelo uso.

Como podem perceber, retrata um diálogo entre a "rica" e a "pobre". Desde criança avivando as diferenças sociais - este é o nosso mundo, não é mesmo?
Mas isso não é o principal, não é a parte chocante desta música inocente. Se lerem com um pouco de cuidado, logo vão notar que a partir da 3ª estrofe, a música fica bem interessante.

A "rica" diz querer uma das filhas da "pobre". Em seguida, a "pobre" pede que escolha a que quiser e a "rica" diz que só quer a Maria. Pensando em cantiga de criança, se parasse por aí até que não estaria ruim, já que em muitas delas há a escolha de uma criança e assim suscetivelmente, até restar só uma na brincadeira. (isso por si só já é bem cruel, rs, mas as crianças são cruéis, rs).

Porém, o que espanta é a última estrofe, com a fala da "pobre", informando que ficou rica.

Bem, de maneira racional, juntando as informações obtidas até agora, a cantiga sugere que a "pobre" com a maior naturalidade do mundo vendeu a filha para a rica? ou é só imaginação da minha parte?

Repito mais uma vez que a intenção não é a de maldar a tradicionalíssima cantiga, só a entendê-la.

E literalmente não é isso o que sugere? Os mais cri-cris vão se perguntar ainda: e para quê a "rica" quer a filha da "pobre"? Bem, aí já não me atrevo a sugerir nada, já que literalmente não temos outros indícios.

Mas já é matéria para se meditar. Espero ouvir o que acham. Gostando ou não do que foi dito aqui. Beijos.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

O Balão Tá Subindo

Bem galera, em homenagem às festas juninas, que tal começar com uma música tradicionalíssima? Quem nunca a entoou ou a ouviu, então não deve ter aproveitado direito, nem em sua tenra infância, essa época do ano. Aí vai a letra, o compositor aparece como indisponível. Se alguem souber de outra versão, que contenha o nome do mesmo, por favor postem.

O Balão Tá Subindo

Composição: Indisponível

O balão tá subindo
Tá caindo a garoa
O céu é tão lindo
E a noite é tão boa
São João
São João
Acende a fogueira do meu coração


Primeiro: Atualmente a música não é políticamente correta, pega super mal soltar balão...mas na época ainda era permitido, então relevemos.
Agora, nem o mais sério metereologista conseguiria explicar que "diacho" (aproveitando o caipirês, rs) de noite é essa descrita na música.
Está garoando, ainda assim o céu está limpo e a noite está boa?
É, realmente só apelando pro santo para entender...rs
Sejam bem vindos, espero que me ajudem a meditar, neste pequeno aperitivo. E se tiver alguma música que te incomoda...por que não meditamos juntos. Beijos